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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fabulosamente juntos.

Amanheceu. Finalmente amanheceu.
Chovia fininho lá fora, chuviscou a madrugada toda. Sem querer chover, sem querer. Senti isso ao ver os nossos nomes escorrendo pelo chão frio e grosseiro da avenida Alameda 7, rua essa que faz divisa com o meu edifício. Prédio que é o meu único refúgio, quando da janela, faço parte da chuva todas as noites. Fico observando eu e você desfilando num mesmo compasso de passos, num mesmo intervalo de tempo. Eu gosto quando chove, sabe? Gosto mesmo. Só não gosto de ver desperdiçar um liquido tão puro só pra me fazer lembrar que acabamos sempre no final de cada esquina. Num esgoto fedido no qual aquela água limpa se deságua junto a nós, se eu faço isso todos os dias com os olhos, sem agredir o ambiente. Sem cobrar taxas mensais da população.
Não posso te matar por essa chuva que caí mais de mim do que das nuvens do céu. Não posso. Não posso esquartejar seu íntimo, nem te odiar pelas centenas de vezes em que eu disse baixinho pra mim que te amava. Não posso acabar com você se as nossas coincidências agora são viáveis o bastante para acabar por nós. O número da minha avenida é 7. Tivemos sete vidas em uma, coração. Essas sete vidas não morreram por acaso. Não fomos par coincidentemente.
Nós dissemos "tchau" fabulosamente juntos naquela madrugada. Nós não queríamos dizer.
Nos dispersamos com os nossos olhos e ainda chove forte dentro do meu quarto. Sabemos o quanto perdemos em todas essas vidas que se resumem a duas, as nossas. Quantas coisas bonitas se difundiram com o passar dos dias secos sem a intolerável falta de nós. Quantas sementes fomos impedidos de fazer germinar e quantas árvores deixaram de florescer por nossa causa. Nós sabemos e nunca protestamos. Se o vento que vem com a chuva forte que caí em mim, fosse mais forte que o sentimento que nos une, talvez varreria tudo de vez. Talvez. E ironicamente é essa mesma metamorfose de vento que acaba conosco um pouco mais a cada dia e nunca tem fim. Você faz não ter.
O escuro, o frio e o silêncio da minha madrugada são os mais penosos. As regras do que, juntadas as ordens de como... São devastadoras. Não te ver com frequência é um vácuo depressivo. Estar contigo e não te ter inteiramente é incalculavelmente debilitante. Somos a impotência do veneno, exceto quando o antídoto é para salvar as nossas outras sete vidas, em outra vida. Let's meet. E que por essas não quero que chova, não mais de madrugada.

A água da chuva.
Aos estados e sentimentos em que nasce.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Por uma noite.

Adormeci pensando em te escrever, e aqui estou.
Puderá também existir versos meus sem vos incluir.
E se existir, eu realmente ainda não os conheço.
Infeliz ignorante sou.
Que não conhece os próprios versos, nem você, nem eu.
Mas que sabe que nós dois só existimos aqui
Nesse amontoado de palavras que eu solto vez em quando
E que me fazem momentaneamente feliz.
Eu só queria que soubesse que não é bem isso.
Tudo a minha volta é triste, acredita em mim?!
Que o fato de sermos só palavras me faz coçar o nariz todas as noites
E que eu não queria me implodir sempre por esse motivo, sabes que não.
Eu só queria estar ao meio, mas com algo que me completasse.
Aqui ao meu lado, aqui bem perto.
Aqui.
E esse algo poderia ser...
Se te evito, te ignoro e te mato todas as vezes sem motivo
Provavelmente eu só queira te ter comigo, por uma noite, só uma noite.
Pra me conduzir nessa valsa que você nunca soube dançar.
Ou, pra brigar comigo por aquele dia 
Que eu me desconectei do mundo sem lhe deixar um beijo.
Pra falar de comida, futebol, ou, até das árvores da sua rua.
Pra comentar do seu dia e dos anéis que você costuma dar.
Pra te chatear com o meu ciúme e por tudo o que eu te digo, 
Sempre indiretamente.
Pra me contentar com seus sucessivos sorrisos
E com a nossa espontaneidade singular.
Pra você ser marinheiro comigo, nessa canoa pequena feita pra dois.
Pra realizarmos ao menos metade dessas vontades.
Pra'eu ocupar a noite inteira contigo e não ter mais tempo de coçar o nariz.
Pra se lembrar para sempre, 
Que um dia céu e mar reuniu-se por nós dois, o que hoje se faz sem nós.

Aos que existem só em um mundo.
Aos que se privam de todos.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Construção.

A distância muda, ressente,
O que se distancia jamais volta ao ponto anterior.
Como pérolas quebradas, nós nunca seremos os mesmos.
Nunca mais, meu bem.

Reconheço também que tenho o poder de decidir quem fica
E principalmente, quem vai.
Mas nesse caso, deixemos o vento varrer.
Já me estremeci deveras além com as nossas plantas e memórias.

Porém, vasculhando estradas, vielas e destinos tantos,
Descobri que o melhor lugar é a onde habita corações.
E por isso, creio mesmo que essa seja a melhor construção.
Creio muito que ainda quero, que quero crer.

Aos que habitam.
A tudo o que há.


Tatiane Salles.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Desencanto embriagado.

Não pelas perfeições, mas pelas formas e avessos.
Eu gostava do inacabado para que pudéssemos acabar juntos.
Gosto de quem não finge, busca ser.
De quem diz a verdade, sem sentir vergonha disso. 

Admiro pessoas que são pessoas de verdade.
Que vivem nesse mundo que não me pertence.
Que aparentemente ainda é, é o único que eu tenho
E eu já não tenho absolutamente nada.

Bom seria se eu conseguisse te aceitar assim como é,
Sendo quem é, sem ter que dizer que amadureça.
Sem ter que esperar que amanhã seja melhor.
Pois esperar pelo amanha é decretar que não és bom o suficiente hoje, 
E você é.
Só não é mais meu.

E para evitar eu te cuidava, me cuidava
Sem saber que já estávamos descuidados e secos.
Bem secos.
Cuidava do que estava ao meu alcance, do que eu podia. 
De tudo o que me foi permitido cuidar.

Eu cuidei de mim e de você sozinha e nunca estive sóbria todo esse tempo.
Eu quebrei barreiras, incompatibilidades, erros seus e até meu orgulho.
Eu fiz por onde me manter presente e sempre tentei estar.
Eu pequei por nós.

Todo esse desencanto embriagado é uma desilusão sincera.
Se pronunciei versos insolúveis, tanto faz, tanto faz.
Anyway, as nossas estrelas dissiparam-se há tempos.
Desconsidere, todo o sentido se perdeu com elas.
Entre os nossos olhares, entre-as-órbitas.

"E no silêncio frio da madrugada, ao pensar em velar teu sono, tudo isso ainda me soa como uma prece." 


Ao desencanto.
A contradição final.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Interurbano.

“Alô?”
Tô te ligando pra dizer que eu sempre vou querer lhe proporcionar os melhores dias.
Um após o outro.
É que depois de cada “eu gosto tanto...”, o coração sempre me sussurra baixinho: “como eu nunca senti por alguém.”
E me bate discretamente aquele friozinho na barriga que aperta de receio, de que um dia você acabe gostando de outra pessoa do mesmo modo.
Eu sei, o sentimento é livre e essa é uma das características mais bonitas que ele possui, mas o meu desejo é que possamos nos apaixonar um pelo outro, sempre.
Por isso, perdoe as minhas sensibilidades em demasia.
Posso imaginar que muita das vezes chegam a te irritar, e você não tem a mínima obrigação em atura-las!
É que no fundo a gente sempre tem medo de ser substituído.
Mesmo você me fazendo carinhos e me chamando de linda depois de uma longa discussão.
Mesmo que eu tenha sede em te abraçar todas as manhãs.
Mesmo que os dois cheguem ao final do dia com um suspiro e um sorriso de canto de saudade.
Mesmo assim.
Eu sempre tive medo de ser substituída por alguém que preencha a minha ausência.
Então vamos combinar...
Eu finjo que ainda não gosto de você só pra me ver te encantando com cada detalhezinho mais uma vez.
Ficamos assim.
Vamos combinar também que a gente vai se gostar hoje se der.
Amanhã se der.
Depois se der.
E depois, e depois, e depois...
E vai dar.
Porque deu da primeira vez em que você me encantou com o seu jeito exclusivamente seu e aquelas meia dúzia de palavras que me fizeram tão contente.
Todos os dias serão a primeira vez.
E todas as vezes terá um detalhe único.
E há tempos, todo e qualquer detalhe único tem tido você.
Façamos dessa forma então, sem prometer que será pra sempre para que não haja ressentimentos.
Mas quero que saiba que nós entramos nesse barco juntos e vamos remar juntos, com todas as nossas forças.
Ainda que o barco esteja furado, eu continuo a remar, mas só se for contigo.
E cada vez que você sorri doce desse jeito, eu me calo.
Eu não me canso de observar as suas maneiras.
Como você franze a testa quando fica confuso, como os seus olhos diminuem quando você fica chateado e também como se declara em silêncio quando o sorriso vem de mim.
Essa sua cara de concentrado tá mudando agora com as minhas palavras.
Eu sinto que está sorrindo.
Ih, olha lá...
Daria tudo pra estar aí agora, porque esse seu sorriso é lindo.
É realmente uma pena eu estar só por telefone.
Certamente ganharia um abraço apertado, um cafuné no cabelo e ouviria um: “Minha linda!” e meus olhos brilhariam, eu sei.
Porque tudo fica mais pequeno quando você me olha assim e porque eu sei que vou te fazer dormir sorrindo feito bobo quando ouvir essa minha última mensagem na caixa postal do seu celular.
Então perdoa as minhas instabilidades...
Você não merece qualquer tratamento.
Você não merece uma mulher sem jeito que não enxergue todas as suas maneiras.
Por tudo o que você é comigo, por tudo o que você é pra mim, por todos os seus esforços, por toda a insistência de se manter ao meu lado de algum jeito, de estar presente mesmo quando eu não faço por merecer.
Por toda a nossa história e por todos os caminhos que nos levam a um só...
Fica comigo hoje???
E amanhã se der.
E depois se der, e depois, e depois, e depois...
Rema comigo.
Mas só até a onde der pra ti.
Só até a onde valer a pena.
Enquanto valer, sejamos únicos.
Sejamos inteiros.
Completos.
Num barquinho simples, furado, que seja...
Mas juntos.
E é isso.
“PIPIPIPIPIPI...”



Ao que pouco me lê, mas que muito recebe as minhas mensagens.
As chamadas com propósito. 
Aos remos, as tentativas.

Tatiane Salles.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Não tenho.

Não pronuncio 'amor' em versos,
Não tenho.
Não pronuncie o amor em vão.
Não o jogue pelos ares
Como as bolhas de sabão que fizestes no outono passado.
Ele pode secar, assim como as folhas que caíram hoje cedo.

Não o diga sem razão, por mil razões.
Não experimente, não saboreie, não se embebede
Sem ter intenção de ficar e senti-lo de todas as formas e jeitos.
Não brinque, não cometa loucuras sem remissão...
De espalhar aos quatro cantos do mundo,
Um sentimento tão frágil, forte e singular.
Todo segredo e virtude.
Todo beleza, perfeição e exílio na terra.
Não o conjugue.


"Não se inebrie com o som das batidas do meu coração.
Que te chama sem querer existir, sem poder estar.
Não me dê razão, não me dê motivos,
Não me faça perguntas, somos sem cobrança.
Me deste a opção de escolha.
Eu á fiz, porém não tenho.
Participo do seu jogo."

Ao amor e ao não ter.

Tatiane Salles.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Me (a)guarde.

E esse medo de morrer sem me encontrar?
E esse encontro que me encontro sem te ver?
Era noite, era madrugada, era dia.
Que fosse sol ou chuva,
Que fosse lua cheia ou tarde de domingo.
Tanto faz, tanto fez,
Eu sempre estarei morta pra você, com medo ou sem.
Eu sempre estarei cansada de tudo e de todos,
Sem sequer exercer algum trabalho fixo.
Eu nunca terei esperanças,
Mesmo te esperando todos os dias, coração.

Me esqueça quando quiser, porém me (a)guarde.
Eu sempre lhe mandarei aquelas cartas de inverno,
Mesmo que não me leia mais com a frequência de antes.
E mesmo que estando ausente, inativa, fria ou já partindo...
Todas elas terão final romântico, eu prometo.

Ao meu amor, com muito amor e solidão.


Tatiane Salles.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Deixe-o ser.

Universo que restringe interpretações.
Orbita insignificante que carece ser expressa.
Em meio a ela, quero ser sem par.
Irei habitar a onde jazem as ruínas.
Não seria o correto, mas é preciso.
Desabar e retornar-se a completude.
Embora dor, talvez haja beleza nas feridas
E marcas deixadas pelo meu tempo.
Expressões à ventania que lapida o eterno.
Ser maleável, moldável;
Em ser significativo por existir,
Sem a carência extrema...
De ser só ser e sentimento.

Ao que vale.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Não significa mais.

Sabe, as vezes fico me perguntando se você vale tão a pena como todas as palavras que até hoje foram escritas por mim direcionadas a sua pessoa.
Se sou tão inútil, ou se posso ceder esse adjetivo pra você, já que nem pra vir me ler você presta mais.
Eu só queria, entretanto, entre-tudo, saber que força é essa? Será radiação da P? Será essa merda de paixão que muitos falam? Mas espera aí, eu nunca fui apaixonada por você. Se quer saber mesmo, eu nunca gostei de você. Eu nunca te amei, meu amor. Ou nunca quis me absorver de tal. Froids te explicara melhor o que eu senti... Enquanto isso não se finda, posso te dizer que esse é um mundo projetado, miseravelmente nosso. 
Em cada parte dele, uma parte de pele nossa, descascando imperceptivelmente, solene, sem voz ativa. Fora as outras mil contradições que cercaram esse cercado de sonetos e devaneios que me passaram todas as noites que deitei na cama e do nada me veio a sua imagem. Fora todos os cabides que tirei do guarda-roupa atoa, pensando em descontar aquele dia que você foi naquela balada tosca na rua de cima da sua casa. E essa nossa respiração espontânea, nossas opiniões contrárias se libertando de cadeados com cheiro de ferrugem. Uma ofensa, parecida com quem acha que o que se vê refletido nesse espelho sujo é ilusão. Outra ofensa, bem maior que uma festa de galinhas da angola dentro do meu edifício. Desse caminho que não se escapa. Todos nos levam ao mesmo; a aquela estrada cheia de buracos. A aquela viela, a aquela esquina, a última esquina, e ainda da pra vê-lo daqui. So bad, so bad! E isso já significou algo pra nós dois. Não significa mais.
Então, renda-se ao clichê do meu pessimismo. Não espere muito desse mês, pois será idêntico aos outros, baby. Eu estou sóbria pro que há de vir a frente. E quando o seu autêntico ódio chegar, o que pode ser no meio dessa madrugada ou no começo da sua meia idade, me liga. Eu vou te atender e não vou perguntar se você está bêbado. Eu saberei que está. Você nunca soube lidar comigo lúcido.


Aos casos e tropeços.
Ao  sentimento que se dispersa, mas se encontra no final.
As paixões infundadas.


Tatiane Salles.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sem audição.

Cale a boca!
Chegue mais perto, 
Quero sentir o pulsar do seu coração.
Quero ter a sensação que você esteve, 
Está e sempre estará aqui, ao meu lado. 
Que não importa o que aconteça de ruim, 
Me manterá calma, deitada sobre o seu peito. 
Feche os olhos!
Sinta-se em sua morada, pois você está nela. 
Você não é sozinho. 
O meu coração é sua casa. 
Sem pagar hospedagem, meu bem. 
Sem frio. 
Sem ventania. 
Sem temporal.
Sem outras pessoas. 
Sem o caos do transito da sua cidade. 
Sem via dupla.
Em via única.
Sua.
Só sua...
Pegue em minhas mãos!
Suadas e tremulas por te ter por perto. 
Mãos que lhe falam mais que qualquer palavra, 
O quanto é forte o que ainda me une a você.
Sem audição.

Aos sentidos.
Aos casais e essências.



Tatiane Salles.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cartas.

Todas as cartas que repousaram empilhadas na gaveta daquele armário velho da sala e as que estão guardadas em mim, que não foram escritas por medo de uma resposta. As mofadas, queimadas, rasgadas, manchadas e borradas pela água que sem querer escorreu dos olhos por aquele dia que você não veio me ver, ou pela caneta que era ruim, não me lembro mais. Toda essa sensação ridícula, que só era ridícula pelo tamanho da sinceridade que carregava. Pela vontade de repetir mais de cem mil vezes, sem sequer razão e motivo. Todos os questionamentos insignificantes nas madrugadas escuras, que seriam tão facilmente evitadas com um pouco do seu romance, carinho e atenção. Todas as ressacas, maldito porre, que por milésimos de segundo não foram preenchidos com a sua exuberante companhia. Todo vocabulário certo que me vem da pessoa errada e todas as pessoas erradas que insistem em tentar me fazer feliz, quando na verdade, são incapazes para tal feito. Todos os risos forçados que me geraram lágrimas nesse travesseiro cor lilás. Toda inocência de um sentimento que hoje se mostra inapto, quase ausente. Todas as danças vazias, que agora me trazem um vazio ainda maior. Todos os finais de semana que me doem o resto da semana e todos os dias que parecem ser infinitos... Todo balão de mentira que enche de ar, o que há 'pouco' poderia ter sido a sua presença.

As pautas fechadas.
As decepções.



Tatiane Salles.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Indiretamente.

Eles diziam e ainda dizem, que o que eu senti nunca passou de vaidade. É o que minha alma gêmea quer acreditar desde o começo. Desde o fim. Desde, sei lá.  Ela só queria acreditar que sua base, contudo, não é como você pensou que fosse. Que é forte e não te gosta mais. Que não precisa sentir verdade no que você diz e faz. Que não te cuida em pensamento. Que é força e não discute contigo, esperando que se desculpe e demostre sua consideração por ela. Por você, por mim. Por nós. Incrédula e com razão, para e pensa. Como conseguiu passar por tudo sozinha, como me viu definhar em melancolia naquele travesseiro de fronha com bolinhas, fino, que me acompanhava todas as noites. Vazias sem sua presença. Vazias noites sem sequer perspectiva em te-lo aqui, por 24 horas, menos, que fosse. Eu só queria poder ter visto um sorriso seu de perto, a 1 metro de distância. Não peço mais, seria infâmia, comparados aos mais de '945548485.6132385' Km que nos separam.
Eu sou ridícula, digna do adjetivo... Em deixar a minha segunda pessoa tomar conta do que eu escrevo. Do que eu te escrevo sem rotulo. Sem uma marcação, nome, ou destinatário. Indiretamente. Minha cara.
Minhas manias, suas funcionalidades. O que te parece cordial, fica. O que não, você manda ir. Como o verbo semi-solto e formal que nós dois usamos sempre, (gostar)/'indiferença'. Sem interesse no que deixa ou não contente e quando sim, é só carinho... Completamente avessos! Que falamos das nossas individualidades, como se fossemos melhores amigos. E eu não sou. Não sou sua melhor amiga! Hoje sou o melhor pra mim, mas isso não vem ao caso, não mais agora.
Eu só gosto de me manter por perto, mesmo que ache que tem o comando de tudo sobre você.
Quando o que eu sinto em relação a isso, se faz a contrapartida. Quando a reciproca a sua 'melhor amiga' não é completamente verdadeira. Quando o seu maior defeito, consome o que se diz autentico... Que projetado ou não, não é. Quando me nega em si.
Só te peço, meu caro, que se um dia chegar a me ler, não me leve ao pé da letra. Essa 'história' não tem pé, membros, físico... Tem coração. Sempre soubemos.
E quanto ao que sentíamos/'sentimos': Diga que conhecemos o amor de uma maneira diferente e eles investigarão gerações.

Ao passado, ao presente.
Carta ao futuro.


Tatiane Salles.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Arco-iris.

Não permita que a coisa mais linda
Em você, venha apagada.
Deixa vir com sorriso largo,
Porque é assim.
Coisas bonitas, merecem sorrisos.
Deixe toda tristeza pro travesseiro,
Mas a palavra, deixa vir em cor...
Arco-iris, como o meu olhar
Toda vez que te encontra.

Aos contrastes.
Ao que nasce involuntário.


Tatiane Salles.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O vento soprou.

O vento soprou o que tinha de invariável.
Separaram e os levaram embora.

Dissemos que não iriamos para lados opostos.
Prometemos indiretamente ficar até quando fosse possível,
Até quando houvesse verdade,
Até quando...
Não deu mais.
O vento bateu forte, conduziu-nos pra 'distante'.
Como a maresia que me bate, te bate e vai.
Como par sem dois.
Como a onda que vem alta, bonita e morre.
Como as circunstâncias que insistem.
Como todas as dissertações sem resposta.
Como a mania de retrospectiva.
Como as borboletas que aprenderam a voar ao som da nossa canção.
Como tinha e o temporal levou
Como tem e o vento sopra 'naturalmente' pra longe de nós.
Como o ímpar.

As ocasiões guardadas.
A tinta da memória.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Buquê do amor.

Não despetale as flores no caminho,
Cuidado, Romeu.
Traga o ramalhete inteiro,
Se pretende vir... 
A 'arca' não pode fechar.

Aguardo-te na alameda, 
Enquanto renasce o bosque encantado.
Espero o buquê do amor único e singular.
E quanto a essência...
O limite não está mais aqui.

Aos amores de primavera.


Tatiane Salles.

domingo, 9 de setembro de 2012

E que venham mais 18.

Ela. A pessoa mais fantástica do universo. A menina com sabedoria de grande mulher. Ela. Que entre sorrisos, sopros e choros cresceu de uma forma maluca e quase obrigatória. Que caiu 9 vezes e se levantou 10. Que sorriu, quando outras pessoas, certamente chorariam. Que despejou água dos olhos enquanto outros muitos esbanjavam falsos olhares sorridentes. Sincera, ela. Que sente de forma intransferível e inigualável.
Traz-me felicidade quando não me há motivos, faz brilhar quando tudo se parece escuro, é presente quando necessito, é palavra quando muita das vezes não tenho, é meu ombro amigo e verdadeiro. A ponte para alcançar a distância e a lembrança para criar a saudade. Ela...
A moça de quem falo, é meu espelho e exemplo que exponho. Porque essa moça, meu caro, não é só uma menina de olhos marcados por interiores que só ela conhece... É uma mulher firmada com vontade de ser mais! Mais na cura da dor, mais alegria na tristeza, mais emoção na frase, mais verdade no abraço, mais razão no ato, mais força na dificuldade, mais refrão na canção, mais clarão na luz apagada, mais paciência no inesperável, mais consolo na lágrima, mais orgulho na família, mais amor ao certo, mais flexibilidade ao incerto, mais lembranças nos amigos, mais realidade no plano, mais união no que te faz bem, mais segurança nas inseguranças, entre outros tantos, acompanhados de um único porém: ela só não sabe que é o resultado da soma disso tudo e muito mais.
Completa hoje seus 18 anos, que internamente são mais que completos. Lhe agradeço por ser mais que presença em mim. Por ser minha amiga, o meu consolo, a minha felicidade e o 'mais' da minha vida. Obrigada por me permitir fazer parte desta comemoração com você e dessa gigantesca montanha russa que as vezes sua vida se torna. Essa gratidão será eterna, assim como a nossa amizade.

Parabéns. Feliz aniversário!

A amiga exemplo.
A conselheira e companheira dos dias bons e ruins.
A Gabriela Fabiana Vieira, minha linda, minha flor, meu jardim inteiro.
A que convive 'pacificadamente' com meus injous e tolices.
Ao meu anjo da guarda e a imensa consideração pelos quase 2 anos de irmandade.
A esse dia tão significativo.
E que venham mais 18, mais, mais e mais...


Tatiane Salles.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

E se te calas? Eu me calo.

Passaram-se os dias, nada mudou. Sente-se, sinta e expresse.Vamos regar o que resta. Já que palavras tenho, mas não sei como as usar. E nem se queres usa-las comigo, já que teu silêncio agora é mais uma particularidade com a qual eu tenho que conviver. E há quem diga que nada é irrelevante. Se não fosse... Ah, bem que uma hora você acaba relevando. Relevando o que a princípio era tudo de lindo pra nós. A nossa amizade, afinidade, nosso apego, nossa preocupação um com o outro, nossa companhia, nossa distância mais próxima que 1 e 2. Que possui uma dizima periódica infinita por entre, mas que são vizinhos, assim como era o nosso sentimento.

Se é que existiu mesmo um nosso pra você na 'nossa' história, na nossa construção, que foi breve, mas foi concreta e que por um certo instante se eternizou, assim como me fez amadurecer. Amadurecer o que de escuro me cabia, pois o que de claro te cabia, escureceu-se como a sombra do orgulho que lhe assombra todas as vezes que se esbarra com o meu ser, que sem querer, pareço não mais agradar-te. Que prefere ficar distante e me deixar distante, como se eu não tivesse tido significância o suficiente para permanecer em sua vida. Como se eu fosse verdadeiramente desnecessária pra você. E se te calas? Eu me calo. Fria, pura e serena, igual a tua forma de querer se conter, quando de fato sabes que me atinge; como aos laços que você desatou 'sozinho' com sua sempre forma de precipitar todas as decisões, ou de querer me magoar propositalmente... Não acredito que venha a ser outro motivo, mesmo que no fim de tudo, negue.

Eu só não acredito mais!
Não acredito.

Não acredito nas desculpas que me dava, caso fosse o errado.
No que me falava, sem se-queres ter visto.
Não acredito na música que você diz que toca,
Tão pouco o simples fato de estares  ali comigo, enquanto conversávamos.
Nas suas 'declarações' indiretas.
Não acredito nos tons das mensagens que foram deixadas a mim,
Creditadas com um 'não se esqueça' no final.
Nem no número discado, ligação que nunca se fundou.
Não acredito nas suas ocupações, muito menos no 'fato' de estar me lendo, aqui, agora.
Nem que ouvistes uma música e pensaste em mim, em 'nós'.
Não acredito não.
Não acredito na sua paranoia, no seu ciúme,
No seu cuidado, carinho e atenção.
Se fossem realmente verdadeiros, não se afastaria assim.
Não acredito no seu gosto, na sua preferência
E se queres saber, nem no seu andar eu acredito mais.
Não acredito nos lugares em que você me dizia ir, 
Nas pessoas que estavam contigo, nem no que fazia.
Não acredito no seu bom/mal humor, já que este, você sempre alternava.
Enfim, não acredito nas suas mentiras e ainda menos, nas verdades.
Não creio e não quero mais as suas 'promessas'.
Não acredito e não quero seus planos.
Não me quero aqui.

Eu só acredito no que se abstém, no que não me dizes.
Eu só acredito quando nada diz e prefiro que fique assim, como está.
O complicado dói, porém é mais 'bonito'!
O justificável, engana!
E vai ser assim...
Como soar-lhe o intocável.
Como tocar o Rock in Roll.

Ao silêncio.
Ao despertar da razão.


Tatiane Salles.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Solidão.

Insegurança em fortaleza,
Evidências do medo ao muro velho.
Solidão é o que convém.
 Harmonia não é formar varal,
Nem as estrelas possuem o mesmo dom.
Pois estar ao lado, não significa muito
Quando não se sabe fazer parte...
Deste sentir;
Desta 'coisa' que falece a cada instante.

A irrelevância.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Moldadas a realidade.

A emoção que caí,
De um imperfeito eu que tinge folhas enquanto escreve.
Que diante dessa discórdia, 
Nada tem além de suas humildes lágrimas.
Águas moldadas a realidade.
O real que não briga,
Não obriga.
Lhe acompanha.

As mágoas.


Tatiane Salles.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Penumbra variante.

Guardo-te nos meus sonhos sistemáticos,
E em silêncio, cuido de ti.
Sem abdicar do contentamento que me trazes sem ver,
Levando-o num tom, que só eu reconheço.
Junto, as preces de quem lhe quer bem o tempo todo.
De te imaginar sorrir, 
Antes mesmo de que lhe envolva, o mesmo prazer.
Sintonia.
Te olhar, te sentir, te adorar,
Te ter em parcela aqui comigo,
Enquanto não vens...
Um abraço que espera vazio,
Nos minutos que já não mais se desfazem.
Nas horas que pararam.
Nesses olhares e passos, 
Que passam, não sendo os teus...
Nesse meu andar arredio,
Nessa penumbra variante.

Ao enquanto.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Belos horizontes.

Me guardo em caracóis,
No interior de uma casca bonita.
Dentro uma saudade, uma lágrima,
Um sorriso teu.

Pensamento confuso,
Marcas do nosso inverno.
Satisfação em me reconstruir,
Me refaço e sem ter conhecimento, ouço a tua voz...

Inventando uma direção,
Que não seja tão distante do meu trilho.
Caminhando pelos belos horizontes,
Sinto-me ao teu lado.

E o brilho que ilumina cada vez mais o escuro,
Persiste atentamente quando necessário;
Aguardando sem pressa o embalo do encontro 'eterno'...
Te esperando.

A distância.
Ao que se parece escuro.
Aos sentimentos.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cavaleiro e Amazona.

Cavaleiro e Amazona.
Cavalheiro eterno, e ela se rende aos encantos.
Nos corações semi-nus,
A natureza rega o espetáculo do amor.
E o quê há de ser, sem sol?
Os opostos se distraem.
Na luz viva do que já se manifesta...
Elos de laços sem nó's,
Que cortam campinas, que inundam sertões.
Que descem as serras 'disputando' um mesmo dom.
E o quê há de ser, sem lua?
Na luz vibrante da noite,
Chapéu de corda, divina inspiração,
Estridente calor, desejo...
E espontaneamente, os opostos se atraem.

Aos amores do campo.
Aos que cavalgam emoção.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

É não se.

É se esquecer deles, delas. De tudo e de todos. Das hipóteses, suposições e seus sinônimos que não se definiram, que não se realizaram, que não se concretizaram. É se privar, enquanto Titãs anuncia... "Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter me arriscado mais e até errado mais, ter ter feito o que eu queria fazer. ♫♪" É desfazer-se de todas e quaisquer possibilidades que por um erro, não vieram a se consumar. É viver o presente e não se atormentar pelo que tinha que ter sido e não foi. É não se martirizar!
É parar de se culpar pelos desencontros. É parar de tentar achar desculpas. É parar de querer encontra-las como se elas fossem o único sentido do tal despropósito. É não se prender. É parar também de querer acrescentar o que de fato não lhe cabe mais. É se permitir!

Aos pretéritos e repetições.


Tatiane Salles.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Partitura dos sonhos.

Em suas curvas,
Vejo o desejo marcado.
Onde ontem, só havia,
O meu, em te-lo.
Esse seu modo de sorrir,
Sorriso transferível,
Que faz-me sentir palpitações.
Nesse seu céu azul, 
Suave loucura se expande.
E esse banho sereno de impulsos,
Faz preencher vazio.
Vazio de instintos poucos,
Ao zumbido do violino...
Que sobrevivem quietos,
A partitura dos sonhos.

Aos desejos.
Ao que sobrevivi. 


Tatiane Salles.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Se foi.

Quando o dia passar,
E se for o sol,
Talvez seja tarde,
E a vontade de estar,
 Já não esteja mais fluente em mim.
Lembrarás.
Lembrarás quando anoitecer,
E a luz não parecer tão clara como era.
Quando todas as lágrimas que derramei,
Fizerem parte dos seus olhos.
Daí, só então, recordarás.
Recordarás, que nunca te desejei mal algum.
Que inúmeras vezes busquei flores pra te alegrar,
Que senti sua falta e que todas as palavras que eu escrevi,
 Tiveram um pouco de você.
Que as cartas que eu não mandei 
Permaneceram sempre guardadas aqui comigo.
Que tudo o que fiz, foi pensando no seu bem.
Que eu te amei, mas deixo sua vida agora.
Entregue-me.
Entregue-me esse coração.
Que você não soube amar e que eu te dava.
Devolva-me esse coração.
Que você não soube amar e o que eu te dava;

Se acabou, se despediu, voou... 
Se foi.

As lembranças.
A despedida.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mera ficção.

Cinema. Das estórias que poderiam ter virado histórias... Nada acontece. Nada aconteceu. Talvez fosse o medo de que as cenas principais não fossem bem retratadas. Que as interpretações não ficassem na memória. Que o elenco simples se tornasse parte principal do enredo. Que fossem apenas figurantes, ou qualquer outro papel que chamasse menos atenção. E era o oposto.
Um querendo chamar mais atenção que o outro, e os outros, até esperavam algo a mais disso. Disso que nem teve nome e que se teve, por descuido se perdeu. E eles cansaram de discutir. Discutir o improvável de dar certo... Tempo perdido, mas que de qualquer maneira, fazia bem. Nem sei de qual bem estamos falando agora, creio que seja aquele bem que a gente sente quando gosta mesmo de uma pessoa, mas que ao mesmo tempo se sente mal. Mal em saber que nunca passaria daquilo, de um simples roteiro sem estréia. Sem ter final feliz. E sobretudo, ela ainda se sentava para refletir e escrever sobre suas decepções. Escrevia, apagava, reescrevia, apagava, reescrevia... Como se fosse mudar os planos que não deram certo no passado. Como se fosse escrever seu próprio destino. Como se tudo isso nunca tivesse tido um fim.
E como sempre, ela escultava o que ele tentava explicar, com palavras meio como se falasse outro idioma, mas que ela compreendia, só não demonstrava. Também, ô gênio forte dessa menina, meu DEUS. Era mais que complicado entende-la. Que dizia gostar, mas que não fazia absolutamente nada para que fluísse. Que prometia com atitudes calorosas para com ele, só que não as cumpria da forma desejada. Erro! Que se sentia mal, por não fazer somente a si, mas por fazer mal a ele também... E com isso ela adoecia e não se cuidava. Vivia por procurar alternativas, se perdia, se achava, se perdia; nos cenários da obra. Se perdia mais ainda nos ponteiros que soavam alto, no atraso do relógio, que vinha de leve, como se não quisesse a felicidade dos dois. As vezes ela se questionava, - Por quê é tão confuso? Se existe sentimento, por quê é tão difícil assim? Ela não era assim, inteiramente desalenta, desatenta... Só se desviava do caminho quando sonhava mais que a caminhada. Ela não era completamente distante. Só não se permitia ficar em meio. Por isso desencaminhou, ele sempre soube.  E no meio da reflexão, vinha o diretor, com voz forte, repassar as cenas do dia, para o último teste. E do fundo eles se viam... Era como acorde de violão desafinado, como centenas de barulhos que tocavam intruso dentro da menina. Se perguntando ainda, - Quando foi que permitiu lhe dizer mais de mil vezes coisas que ela nunca teria oportunidade de dizer à ele? Se perguntando, - Por quê foi e voltou tantas vezes, se não tinha intenção de ficar para sempre? Inconsequente! Mas já ele...  Ele não gostava, mas ouvia suas canções tediosas, que te faziam bem, só em saber que parte dela estava com ele. Ela era melancólica, mas ele amava o que ela escrevia, escritos que entediavam, mas que ele lia. Lia todos. Lia para adoecer junto, de ver suas tentativas inábeis de permanecer equilibrada no meio fio das palavras. Lia porque os mantinham-vos mais perto, e te-la com ele, mesmo que fosse só com palavras, o deixava melhor. E de longe, ela se sentia melhor também... Numa coisa eles combinavam: Ela sorria por dentro, e ele gostava do sorriso dela. Ele sorria por dentro, e ela gostava do sorriso dele, concomitante. Não! Toda essa unilateralidade não os faziam pequenos sobreviventes, fúteis, ou coisas do gênero. Muito pelo contrário. Se é isso que pensa, é porque nunca viu a forma com que se davam, se tratavam, se gostavam. É porque nunca viu como pediam desculpas, se cometiam erros. É porque nunca se embebedou de tal sensação. Ficava bobo quando ela o chamava pelos apelidos carinhosos. Ria bastante dos seus desenhos prediletos. Ficava bravíssimo quando ela falava de outros garotos, - Era recíproco, né?! Tá, era. rs. Perdiam noites de sono discutindo por ciúmes. Que à "encantava" e ele nem percebia.
 Eles eram assim, complicados. Cheios de pontos de vista diferentes, cheios de inventar histórias e pessoas. Sendo que na verdade, esse era pra ser o papel do grande roteirista... Aquele que escreve as cenas, dentro e fora dos filmes. Aquele que tem poder único, mas que por interveniência deles, foi impedido de terminar. Que por serem assim, perderam o papel principal e até a chance de serem figurantes (como temiam a principio). Perderam o poder de serem o que sentiam. Perderam os bastidores, a festa de estréia, o reconhecimento, a presença e o espetáculo cinematográfico. E principalmente perderam a participação mais prazerosa. A possibilidade de viverem a vida real, que dali em diante, sem eles, tornou-se efetivamente, mera ficção.

Ao que se perde num piscar de olhos.
As histórias e estórias.
A eles.


Tatiane Salles.

domingo, 8 de julho de 2012

A-luz-da-lua.

Originalíssima é a lua. 
Que muda de fazes sem pedir licença.
Tão pura, sem o proposito
Que há em cabeças 
Do mesmo formato dela, por aí.
Arrendondada como o círculo,
Que promove aquele gigantesco bem-estar,
Quando por conta própria, fica cheia.
Cheia de vivacidade e nudez.
Que, no nocturno, 
Faz brilhar sua ingenuidade.
Mesmo que com o tempo,
Retornando-se à 
Minguante, nova e crescente.
Mas que todavia se prepara, 
Para como as estações,
Renascer mais bonita e elegante;
Idêntica à primavera.
E encantar-nos novamente,
 Com a vossa saudosa e grande
Rodela potente...
A luz da que reluz. 
A-luz-da-lua.

Aos apaixonados pela lua.
A ela.



Tatiane Salles.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lacunas do amor.

Seus olhos atraem o meu olhar.
Quando não, minha boca quer a sua.
E se negamos, 
Vozes do interior se encarregam de persistir e permitir-nos.
Já os pontos, esses brigam por nós dois.
Interrogações e reticências não se dão.
Letras se dispersam.
Vogais e consoantes não se encontram mais em via unica,
Para o caminho da estrada.
Que de pedra, de pedra era;
A estrada dos sonhos...
Sonhos transparentes, 
Das lacunas do amor.

Aos indecisos.
Aos que vivenciam uma história complicada.
Aos que se vê em intervalos.
Aos que se 'amam'.


Tatiane Salles.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Confrontando.

Chora, um músculo do nosso corpo.
E do lado oposto, 
Os experientes rogam para que pare.
Para que pare de derramar o sangue,
Que só ele é capaz de transportar.
E lá de fora, todo perfume se converte em lágrimas.
Que caem naturalmente pela pele já em neutro.
Faces perdidas no breu do lugarejo sem poste.
Faces perdidas da alma, 
Como um pássaro impossibilitado de voar.
Sem qualquer distinção.
E nos sonhos, ele é príncipe.
Assim como foi na realidade.
Carregando consigo no distante de mim,
A parte de também querer.
O 'impossível' de querer,
Nos insensatos corações que sofrem,
Por ambos não se terem...
Confrontando com o mais possível de amar.

Aos que amam.
Aos remotos.
Ao sentimento que prevalece.
Aos 'impossíveis'.


Tatiane Salles. 

Agradecimento.

É um momento muito importante pra mim. Alcançamos 200 seguidores. Falo no plural, porque somos uma família. A família Só Para Dizer.
Agradeço primeiramente a DEUS por toda a inspiração... Por todo carinho com que me receberam na blogosfera, todo apoio que me deram e que ainda dão, todos os comentários, todos os elogios, toda palavra amiga e verdadeira, todo incentivo... Sem vocês, esse universo seria triste e solitário. Agradeço também a todas as visitas, todos os que direta ou indiretamente leem o que eu escrevo e que se contentam com isso. É muito bom saber que você consegue transmitir emoção com apenas palavras, essas que traduzem o seu cotidiano ou até mesmo o que você sente. Lembro de um dos primeiros textos que eu escrevi aqui, que dizia: "Não é nada pessoal. (Talvez, tudo o que é escrito seja...)" E realmente, tudo o que é escrito aqui, tem um fundo meu. Que se torna seu, nosso e de todos os que partilham do meu mundo. Sou imensamente grata por nunca me deixarem e por dizerem por mim quando me faltam palavras nos post's. Sou feliz, muito feliz por compartilhar dessa imensa alegria com vocês. Que todo esse retorno que eu recebo, se reverta em forma de positividade e luz para mim e para todos os que deveras ainda tem muito à dizer. Obrigada!

Ofereço esse selinho de comemoração. Aceite-o, em forma do grande carinho e consideração que eu tenho por cada blog amigo do Só Para Dizer. É do meu coração, para o seu.  

Paz, amor e poesia!


Tatiane Salles.

sábado, 30 de junho de 2012

Os dois lados da moeda.

Ninguém é tão ninguém,
Há ponto de não ter alguém,
Ao lado seu.

Ninguém é tão sozinho,
Para se sentir como em hora, só eu me sinto,
Na fenda que desune a previsão,
Deste deserto escuro à cegueira que possui.

Ninguém consegue ser tão contraditório,
De focalizar em meio tempo,
Sem ao menos ver, os dois lados da moeda.

Aos que se sentem fortes.
Aos que coexiste em ânimo e solidão.
Aos que 'não' existem.


Tatiane Salles.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Piano.

Admirados a vossa altura,
Ao show de talento que se pusera diante de nós.
Punhos que deslocavam-se,
Fazendo do lugar, poço exclusivo do clássico.

Apoiados de uma gigantesca estrutura,
Da plateia e dos ouvidos, muita das vezes leigos,
Órgão que se punha, ao som do homônimo.
Musicalidade em forma de equação sonora.

Teclas, que de longe ostentava,
As belezas que o universo possui.
Maestria que ordenava os polegares,
Mesmo não sendo tão usados, como os demais.


Num relance já via,
Desvendando os mistérios das notas.
Como ouvia dizerem que é.
E que realmente eram, dominantes à seu posto.

E como assim, me pegava, 
No gerundismo de valsar, desfilando nele,
Sem por os pés no chão.
Ao som do que me embalava.

 Ao som do, mais surdino piano.

Aos músicos.
Aos concertos e transformações.
Ao instrumento.


Tatiane Salles.