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terça-feira, 8 de maio de 2012

Contraventores do amor.

E de tantas sensações,
A que mais me impressiona,
É essa afinidade que,
Eu ainda tenho com à sua pessoa.

Tão simples era:
Como vaga-lume que iluminava,
Estrela cadente que brilhava,
A forma com que carinhosamente a gente se tratava,
(E isso nem tanto tempo faz.)
Fruta madura que caía do pé.
 (Que hoje, não mais.)

Tão complexo é:
Como instável relacionamento,
Fim sem real argumento,
Discussões sem pazes,
Sem termos, seres leigos,
Como humanos de fases.

E toda convivência...
Lá se foram...
As coisas bonitas que em questões de horas se transformaram,
Em jogos de comédia, sem diversão,
"Alegria" com dor,
Pênalti sem faltas,
Sentimentos sem palavras...
Contraventores do amor.


Tatiane Salles.

domingo, 6 de maio de 2012

Enquanto...

Enquanto escrevo estes versos,
Percebo que o vazio é o mais triste,
Enquanto minha mente insiste,
Que o amor ainda existe...

Enquanto discutem a minha aparência, 
O meu eu pede licença, 
Para o amor não encontrar vagando, 
E por você de novo se apaixonar, (mesmo já estando).

Enquanto meço minhas ações,
Vejo que o alcool aflora meu sentimentos,
Porém não tira o tormento,
E nem volta no tempo.
Ah, se voltasse...

Maldito relógio cronológico, 
Me fez perder no espaço,
Fazendo de mira meu coração,
E o quebrando em pequenos pedaços.

Enquanto penso em você, 
Me pego contradizendo comigo mesmo, 
É inevitável, 
Eu não esqueço.

 Ficaram guardados, 
Bordados, remendados, 
Os mesmos cacos que até hoje eu tristemente carrego,
Entre-linhas, entre-passos.

Enquanto viajo para não te encontrar,
Me vejo procurando desculpas para não me vender,
Nos seus carinhos baratos, fantásticos,
Que me faziam viver.

Mas me lembro de supetão,
Que de carinhos já não sou mais feito,
E de amores já não vivo,
Apenas escorrego na vida, 
Na esperança de cair em um buraco,
Fundo, opaco, me encontrando novamente, em você, minha flor.

E como sempre é fechada, 
Com faltas,
Essa porta, 
Que ainda insiste em rebater... 

Contra o vento que soa, 
O beija-flor que voa, 
Amores sem juízo, sem volta...

 Enquanto eu pensava, 
Que te teria aqui, por perto, 
Indeterminado tempo, tempo sem momento, 
Sem hora pra acabar...
 "Você", faz do nosso amor um brinquedo 
E sem cessar esmaga um sentimento, 
Que eu JAMAIS ousaria em desperdiçar.

O não ter, o não ser e o não viver,
Me parece melhor do que achar ter o que eu tinha, 
Ser alguem que eu era,
E viver uma vida ilusória, falsa história,
Conto de fadas,
E por quê ainda penso a respeito?
Decifrando códigos incompreensíveis, 
Procurando ao menos uma explicação digna, 
Do que eu tinha, do que eu fui e do que eu vivi.

Grandes e meros detalhes, 
Que ainda me invadem, 
Esse menino inocente, 
Que se encontra em off, mas que pretende se libertar, 
Daquele seu carisma, do seu olhar azul e do dia em que te conheci,
Naquela praça, sob uma noite meiga e intensa, mais sereno luar.

A música que me corrói,
O porta-retrato com nossa foto, onde você estava bem, meu bem.
 A saliva já não passa pela garganta, 
Ela está presa na melancolia e nas lembranças,
 De um dia em que meus braços foi seu arem, 
Onde eu era seu e de mais ninguém, 
Cego no protótipo do amor, 
Que você lançou para o espaço, 
Sem nenhum sentimento envolvido, a não ser os meus...

Só espero que você se recorde, que um dia eu fui seu Romeu... 
Mas, antes um sentimento, 
Do que a morte, maldita sorte,
Que mesmo "vivo", me aprisiona nesse corpo nú,
De alma, coração e espírito.


Tatiane Salles & Hairton Silveira Jr. 

sábado, 5 de maio de 2012

... Entre todas as aspas./Falsário teatro, que saiu de cartaz!

"Querido".

As informações são múltiplas.
Sou poetiza de manhãzinha.
Estudante à tardãzinha.
E logo após, na tarde reluzente dos cansaços,
Quando a magia noturna se avizinha,
Eu voltava para casa, só pra "sonhar".
E sonhava... Eu sonhava que:
Estávamos "juntos", que nós dois estávamos "juntos".
No embalo do "compasso",
Da "música", do "tempo", das "asas"...
E mesmo que o seu nunca fosse concomitante ao meu,
Até na força irrestrita do "pensamento"...
... Entre todas as aspas.
Ao amanhecer...
Que é quando tudo de novo se aproxima,
Sucessivamente da noite pro dia,
Vestido rodado, voz feminina, sorriso largo...
Que esperava novamente por encontrar,
Suas encenações, que fingiam estar presentes,
Que me envelhecia com os seus "passos" estridentes e o seu orgulho nato,
Com "saudades", ausentes...
No seu mais velho e falsário teatro "mágico".
Mas o que era sucesso,
Hoje saiu definitivamente de cartaz
 E se deu por encerrado.
Sem previsões de nova estreia...
Desprazeres da arte.
05/05/2012


Tatiane Salles.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Retratos de uma "vida".

Farol aceso,
Vidro fume fechado,
É como ela se sentia,
Num pesadelo inconsequente,
Acelerando, "vagarosamente", em um carro.

Mal de Parkinson?
Ela treme e teme esse local tão tenebroso,
Como se aquele fosse o último suspiro,
Que pelo pulmão tivesse adquirido,
Sem sequer, esforço.

Alterava de modos com mais aparente facilidade,
Delírios, ataques...
E de um minuto pro outro recuperava sua moral,
Psicologicamente fatal,
Esse também ser, que o outro mundo invade.

Transtornos de uma "realidade" bipolar,
Psicose maníaco-depressiva
Mania da melancolia,
Que os pobres de espírito transpareciam sentir pena...
Rose era normal, sadia;
Só, que, vivia, 
Um amor mal resolvido,
Vicioso, fictício, corrosivo,
Retratos de uma "vida" esquizofrênica.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Passos.

Despreocupe-se. 
É só o tempo lá fora. 
O vento te buscando e te levando, 
Deixando sem buracos o que ainda não se cumpriram as etapas.

E tudo parece tão distante...
 Mas na verdade esta bem perto.
 Mais perto do que imaginei, bem mais perto do que eu mesma planejei...
 Bem mais perto que o Sul, que o Norte, do que qualquer outra esfera, do que qualquer outro lugar. 
Esta aqui! 
Onde não tem como chegar, não tem como alcançar, não tem como se ver... 
Esta bem aqui, a onde não tem como esquecer.

Fora do meu espaço, algumas coisas ainda parecem escuras, obscuras, 
Escuras; mas o sol ainda aponta para que à luz adentre
Aqueles passos inquietos e confusos, que ousaram com coragem, 
Andar sobre as folhas jogadas ao chão.
 Passos que os ventos não apagarão.
 Permanecerão, intactos, como marcas do caminho,
 Percorridos para que chegassem ao outro lado da nascente,
E pudesse olhar para aqueles passos tortos, 
E ver que todos eles valeram a pena para chegar à onde hoje estou.
Bons ou ruins?
Dependeram de escolhas.
E eu fiz a minha.
(...)



Tatiane Salles.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Talvez.

Talvez, amar, seja mesmo isso,
De querer a felicidade "alheia",
Mesmo que você não tenha,
Probabilidade alguma de estar ao lado.

Talvez, não haja "eternidade" na terra
E nem tom de cor alguma, 
Arco-iris, aquarelas...
Mas e meus olhos, são de que cor?

Talvez, todo labirinto "não" tenha mesmo saída.
Envolvimentos singulares,
Que permanecem em um cofre,
Trancado a sete chaves,
Nos calcanhares de um pobre coração.
"Desnecessária" prisão.

Talvez, toda personalidade seja de cheiro simples
E tenhamos dificuldade para senti-la,
Da mesma maneira, que, naturalmente é.
Ou talvez, em tantas, isso não se prossiga.

Talvez toda escrita seja desprovida
E entre diversas questões exista...
 Um talvez refletido a cada palavra e a cada verso.
Hipótese, ou fato concreto?
Talvez! (...)


Tatiane Salles.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Anáfora fantasma.

São tantas...
Palavras, 
Palavras, 
Palavras.
Enrole, enrole.
E isso nem é uma hipérbole.

...

Dói tanto esse lirismo incerto
Puro em todos os sentidos,
Hora com argumentos, correto,
Outras, louco, varrido.

...

Imprecisão é fogo,
É uma metáfora descontrolada,
É ódio e amor, amor e ódio,
É uma anáfora fantasma.


Tatiane Salles.