segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Obsoleto.
depois de todo esse tempo, me convenci de que a culpa da erosão foi minha.
parti por não encontrar mais conforto nos meus próprios ideais.
levo isso inserido no âmbito sombrio
levo isso inserido no âmbito sombrio
de mim.
o peso da culpa retorna
todas as vezes
que a leveza do vácuo
se expande pelas extremidades
que um dia tentei torná-las suas.
falhamos tanto.
meu coração sempre quis
se desculpar.
por cada erro, suicídio,
cada oportunidade perdida
de termos nos feito ficar.
sempre quis somente me desculpar,
mas, todavia, o perdão é tão inalcançável
quanto o porquê (de tudo).
quanto o porquê (de tudo).
teria sido fácil - e vazio -
se você nunca tivesse me tirado para dançar.
porém, quanta bagagem se perderia nesse meio tempo inexistente?
mesmo no sufoco da angústia, reconheci coisas novas.
você trouxe à tona um campo de visão
que nenhum outro relacionamento ambíguo,
como o nosso, teria trago.
a dor lacinante que se instalou no meio da sala
quando partimos em direções tão opostas
quanto sempre estivemos
foi para deixar claro que,
em algum ponto,
as noites e as guerras juntos valeram o tempo.
se você nunca tivesse me tirado para dançar.
porém, quanta bagagem se perderia nesse meio tempo inexistente?
mesmo no sufoco da angústia, reconheci coisas novas.
você trouxe à tona um campo de visão
que nenhum outro relacionamento ambíguo,
como o nosso, teria trago.
a dor lacinante que se instalou no meio da sala
quando partimos em direções tão opostas
quanto sempre estivemos
foi para deixar claro que,
em algum ponto,
as noites e as guerras juntos valeram o tempo.
5h am.
ainda honro o velho Seixas.
te levo.
dentro, fora,
bordas do cérebro, memórias, mágoas e ponta dos dedos.
dentro, fora,
bordas do cérebro, memórias, mágoas e ponta dos dedos.
Tatiane Salles.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Queda.
Julieta coleciona
entre
a maior
decepção de sua vida
alguns poemas aleatórios,
vinis e cigarros.
eu quero me lembrar
das pintinhas do seu rosto,
do riso
e da primeira e ultima noite de rock
com Muse e outros feras.
eu quero me lembrar
da doce sensação de cair voando
e de que essa não é apenas uma
expressão figurativa.
eu quero me lembrar
dos políticos que foram presos
considerados de extrema periculosidade
por conhecerem a força de um intelecto
e repassarem a receita da anarquia pessoal.
e do olhar efêmero de Raul
ao supor em suas canções
que nenhum amor é realmente eterno
ainda que o resultado da autopsia seja:
Shakespeare.
eu quero te lembrar
nós não vamos esquecer
Tatiane Salles.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Nota de falescimento.
é com grande pesar que
comunicamos o falecimento
de mais um amor.
não se sabe ao certo quando ocorreu,
somente que era cedo demais para uma das partes.
deixou filhos órfãos e inconsoláveis:
os braços (que se encontram incapacitados de abraçar),
os planos (que se entregaram ao vício e
dia após dia estão jogados pela casa,
embriagados de ausência)
e o caderno de poesias (que de tamanho desolamento não consegue mais rimar).
haverá luto,
não pelas mágoas e erros,
mas sim pelos momentos que fizeram os olhos cerrarem,
a boca esboçar um sorriso
e a respiração tornar-se mais lenta e profunda:
é em nome da felicidade passada que a alma veste-se de negro.
o sepultamento dar-se-á
com o enlouquecedor tic tac do relógio que,
pouco a pouco não nos deixa mais ouvir claramente o tom da voz,
sentir o cheiro
e lembrar quantas colheres de açúcar
comunicamos o falecimento
de mais um amor.
não se sabe ao certo quando ocorreu,
somente que era cedo demais para uma das partes.
deixou filhos órfãos e inconsoláveis:
os braços (que se encontram incapacitados de abraçar),
os planos (que se entregaram ao vício e
dia após dia estão jogados pela casa,
embriagados de ausência)
e o caderno de poesias (que de tamanho desolamento não consegue mais rimar).
haverá luto,
não pelas mágoas e erros,
mas sim pelos momentos que fizeram os olhos cerrarem,
a boca esboçar um sorriso
e a respiração tornar-se mais lenta e profunda:
é em nome da felicidade passada que a alma veste-se de negro.
o sepultamento dar-se-á
com o enlouquecedor tic tac do relógio que,
pouco a pouco não nos deixa mais ouvir claramente o tom da voz,
sentir o cheiro
e lembrar quantas colheres de açúcar
eram colocadas no chá de manhã.
Tatiane Salles.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Cena final.
escrever sobre Montecchio e Capuleto
é como te esperar todas as noites
na sacada do meu prédio,
eu não me canso.
o caos interno
e o lirismo da sonoridade de Dire
hão de convir que
os nossos sobrenomes foram extraditados
por uma questão que vai além da
guerra.
contudo, amo os seus pais
seus filhos que ainda não nasceram
e você na mesma intensidade que o dna dos confins da sua alma
do tamanho da sua inconstância
e da minha
porque Shakespeare quis assim.
somos fruto
do resultado
da nossa própria tragédia
e morte.
Tatiane Salles.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Colisão.
a poesia não o salva
de ser atropelado por um navio na avenida principal,
você sabe.
esse pensamento
sempre me vem quando percebo
que eu tenho somente poesia.
"poesia pode me salvar de quê?"
bom, eu me vejo perdido
menos agora porque eu escrevi o que eu realmente acredito,
mas estou sozinho
e este frio me paralisa um pouco.
seria bom para dormir em sua mão.
há uma parte do dia em que poderíamos nos encontrar no metrô
comer um bolo colorido.
a semelhança entre esquecer e perdoar
é uma faca na minha mente.
eu posso esquecer ou perdoar-lhe?
beijar ou matar?
me faria menos triste esquecer,
mas todas as sociedades são inundadas com as coisas
que eles não podem esquecer.
Oriente e Ocidente têm muitas coisas em comum
e uma delas é ser atingido por um navio em uma avenida principal,
porque isso não se pode perdoar.
eu quero ser capaz. me perdoar.
eu vi a sua nova vida passear pela janela da varanda,
essa guitarra na esquina ainda diz muito.
escreveu uma canção que toca no meu rádio
toda terça-feira a noite
quando no parque de ônibus,
no ônibus,
eu voltei a sorrir para você.
de ser atropelado por um navio na avenida principal,
você sabe.
esse pensamento
sempre me vem quando percebo
que eu tenho somente poesia.
"poesia pode me salvar de quê?"
bom, eu me vejo perdido
menos agora porque eu escrevi o que eu realmente acredito,
mas estou sozinho
e este frio me paralisa um pouco.
seria bom para dormir em sua mão.
há uma parte do dia em que poderíamos nos encontrar no metrô
comer um bolo colorido.
a semelhança entre esquecer e perdoar
é uma faca na minha mente.
eu posso esquecer ou perdoar-lhe?
beijar ou matar?
me faria menos triste esquecer,
mas todas as sociedades são inundadas com as coisas
que eles não podem esquecer.
Oriente e Ocidente têm muitas coisas em comum
e uma delas é ser atingido por um navio em uma avenida principal,
porque isso não se pode perdoar.
eu quero ser capaz. me perdoar.
eu vi a sua nova vida passear pela janela da varanda,
essa guitarra na esquina ainda diz muito.
escreveu uma canção que toca no meu rádio
toda terça-feira a noite
quando no parque de ônibus,
no ônibus,
eu voltei a sorrir para você.
Tatiane Salles.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Paralelos.
alienígenas
me trouxeram
de volta para casa.
percebi do alto o quão tudo é pequeno
em relação as despedidas.
discos voadores
congestionam o transito do céu agora.
é um aceno?
esse adeus inexorável que corre na sua jugular
o riso
o riso
as veias do seu
braço e a pupila ocultamente distraída apareceram bem na hora
que eu vi
o que jamais será meu.
que eu vi
o que jamais será meu.
partida.
Tatiane Salles.
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