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terça-feira, 11 de junho de 2013

Das que restaram.

te trago lembranças.

venho de muito longe
até Marte
para dizer-te
olhando aos olhos que,
as noites remotas da cidade
me lembram o seu inverno.
e eu ainda gosto.

mas do seu sol e riso, mais.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sinfonia águda.

sobrevivi.
me intriga.
viver e morrer todos os dias.
nessa agônia
abstenho-me
então
do
seu
amor.
durmo.

e te afogo momentaneamente.
sonho com pássaros.


Tatiane Salles.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Te escrevo.

Me guarde para a última página do livro. 
Todavia, serei leal à sua espera. 
As ondas me acompanharão enquanto 
você desvenda com o piscar das pálpebras 
novas histórias.
Choro todas as noites
 e você me chega cabisbaixo 
não querendo admitir tristeza. 
Te escrevo sobre nós agora para tentar achar uma saída. - Pela porta da frente. 
Te escrevo para pensar em nós dois juntos nessa vida,
e em outras sete caso nos encontremos.
Escrevo pra te ver velejar, amor. 
Escrevo ainda para mostrar 
o quanto os nossos desentendimentos são insuficientes
 para nos fazer mudar de rua. 
Escrevo para você que nunca lê,
embora saiba que esse meu caderno é seu.
Te escrevo para te dizer coisas
 que jamais entenderá 
porque sou a maior parte das nossas complicações
 e o meu silêncio se explica 
em todas as palavras que não falo, mas escrevo. 
Vejo do fundo do seu livro um mar inocente. 
Tudo muito sem luz. 
Tudo muito sem você. 
Então, escrevo. 
Para dar um pouco de brilho ao mar e a nós, te escrevo.
Destino-te todo o meu interior. 
_
O nosso passado morreu de overdose.
Em memória, esses versos. 

Queria ter vivido no fundo do seu mar. 
Hoje, você navega em meus olhos.

Aos escritos e destinatários.


Tatiane Salles.

terça-feira, 12 de março de 2013

Meia dose.

Acena de bem longe e muda de calçada. 
Muito de tudo o que já existiu 
se perdeu com o vento atípico de ontem, talvez... 
Nós também. 
Na altura do campeonato, 
a única diferença é que você ainda aparece vez em quando
 para vistoriar um terreno aqui ao lado.
 Essas suas idas e vindas são interiormente congestionantes, 
porque na maioria das vezes você passa pelo meu jardim. 
E quase seca as roseiras com os olhos, 
e quase rega a grama com meia dose de saudade-ácida, 
e quase abre a janela pra sentir de perto esse meu cansaço que coagula, 
e quase grita que ainda me ama. 
Eu de dentro também quase grito. 
Nós paramos quase sempre no "quase". 
Qualquer dia desses te digo, 
que você cheira flores quando me vêm cumprimentar 
e falar brevemente das suas trivialidades com a vizinha, amor. 
Espero que sua fragrância mude com o tempo também.
_
Mas antes de tudo,
eu só queria saber 
como me desprender definitivamente 
das suas alvoradas.

Aos quase...  


Tatiane Salles.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Plágio exato.

Você é tudo, 
menos o que me faz dormir tranquilamente. 
Tem sido assim desde que, 
daqui, comecei a lhe enviar substâncias toxicas. 
Não as recebe a tempo previsto 
porque o seu código de barra 
é um plágio exato do meu endereço
que as fazem retornar. 
Acho crime quando o resto do mundo é mundo, 
e eu sou politicamente de você. 
E quando não, tempestade. 
Todo chão é mais escuro.
Toda parede, psíquica.
E a cidade inteira mural das nossas insanidades sentimentais.
A minha lápide também será um dia, amor. 
Eu poderia mover sete montanhas  
com o que flui por de trás das paredes secretas do meu interior,
quando você bate à porta.
Ás vezes sinto que estamos no mesmo nível,
porque a sua esporacidade me aquece.
Outras que seu suor tem cheiro forte de incenso.
Nota-se quando desloca sem paradeiro para longe. 
Perdoo a sua pronuncia errada ao falar meu nome, 
pois os nossos por coincidência fazem par. 
Nessa casa, ninguém desejá-nos o contrário.
Sonhamos de olhos abertos, 
deveras porque possuímos um prato cheio de abstinência 
nessa alma conjunta, incolor e ociosa. 
Que saturada, nos pede pra voltar.
_
A qualquer momento, menos agora.

Não jogue fora meus papéis,
foi pra te amar um pouco mais que escrevi sobre os nossos olhos.

A segunda pessoa.
Aos plágios exatos.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O céu sem estrelas.


Você foi a ausência de calma, quando distanciou o seu corpo do meu. 
Quando a única estrategia era remar, 
e você nos deixou a deriva. 
A-beira-mar the starless sky.
Para quem nunca acreditou que lar pudesse ser uma pessoa e não um lugar, não sabe que você foi o meu castelo inteiro.
 Não sabe que fomos a trilha sonora de um filme bonito,
 e a canção final do amor.
Acabamos sempre no final de cada rua. 
Sem canteiros, meu bem. 
Sem esquina. 
Sem destino. 
Sem pontes, elos, laços.
Sem mãos dadas.
 Com lágrimas salgadas brotando ao canto dos olhos amargos
 de procurá-lo no escuro das madrugadas frias,
e não encontrá-lo nem na sombra dos meus próprios versos.
Mastigo fatias do meu silêncio,
 me engasgo com os nossos planos infundados, 
engulo palavras inquietas,
 vomito a alma e ainda assim, me sobra lembranças suas.
Você foi o ecó mais doce que soou nos meus ouvidos.
Suas cordas vocais possuem um estimulo vicioso.
 Um tipo único de alucinógeno que ninguém mais irá usufruir completamente, pequeno sol. 
Ninguém mais.
A claridade me persegue a extremos.
 Talvez, por saber da minha preferência insana pela noite, 
por acreditar em nós dois… 
Ou, quem sabe por ainda existir.
Você já foi meu assunto preferido, 
hoje não passa de entrelinhas amontoadas. 
Te escrevo porque mais ninguém te escreve, 
e eu sinto em te deixar perder. 
Sinto muito.

Aos que supostamente ainda existem.
Aos que não.


Tatiane Salles.