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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mascaras.

É impossível começar sem sorrir,
Chorar,
Ou, sorrir chorando.
Mascaras!
Que sempre tapava o sol com a peneira,
Como dizia à querida avó.
Que faziam por parecer,
Meus erros bem maiores que os seus,
Como se fosse possível contabilizar dois seres.
Mascaras!
Que sempre lhe cobriu,
Protegeu, me invadiu
Com seu protótipo de exercer,
O que de mais bonito lhe cabia em hora.
Mascaras!
Sinais, que deixaram no rosto...
No rosto do íntimo, que não mais sofre.
Mas que se entristeceu em demasia,
Por ter permitido isolarem parte do meu corpo.
Corpo esse, que presentemente vaga por aí, sem intenção.
Mascaras!
Com esse ponto de exclamação gritante,
Que fica mais coerente no final da história.
Que nem se fez, mas que ficou.
Que poderia ter transparecido inumeras reticências...
Esses pontinhos teoricamente tachados de madura significância,
Mas que praticamente abandonaram o navio,
Carregando junto a torpe da folha, com o endereço certo.
Deixando-me perdida no naufrago, ao escuro dos sinais.
É impossível terminar sem sorrir,
Chorar,
Ou, sorrir chorando.
Mascaras!
São as mesmas que revelaram,
A incompatibilidade de 'nós'.

Aos que se cobrem, se escondem.
Aos que seguem sem intenção.
Aos que se esqueceram, mas que se lembram.


Tatiane Salles.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Fogueira.

Nessa chama que pronuncia alto,
O infinito templo da poesia.
Da cantiga e do trem que passa as onze.
Nesse fogaréu que te puxa,
Pra roda de samba-rock
E pro vento que leva e traz o mesmo fogo.

Essa brisa do inverno que já caí,
Deste alaranjado das faíscas que na alma arde forte,
Nos elos que transmitem...
Vida e morte do velho, morte do velho e vida.
A beira da tremenda sorte de participar,
Do prazer único do momento.

Tão longe da água.
Tão perto da videira que ela anuncia.
Queima, esquenta!!!
Incendeiam-se o profundo dos corações;
De frio aqui não se morre.
Tampouco faz.

Da chaleira da fazenda,
No asfalto de terra pura,
Zona e mata de outras bandas,
Oculta morada.
Cuidados a pão de lô eram os gravetos,
Que fizera do noturno, grande festa.
O inicio...
Da tão esperada fogueira.


"Porque fogo é vida! Queima os laços fúteis e fortalece a alma com a chama incandescente, que me parece frágil aos olhos de quem já amou." (Hairton J. Silveira.)

Ao fogo, aos corações.
As almas, a vida


Tatiane Salles.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Final do roteiro.

Com pregadores de roupa, ela desconcertou. Prendeu tudo o que nela havia de mais bonito. Pendurou seu jeito, o jeito de te tratar. Pendurou aquelas frases que soltava só pra te fazer bem, enquanto você alternava sua reciprocidade. Pendurou todos os clichês, toda vontade de te escrever, todo desejo de parecer com a sua pessoa. Quis não te escrever, pensando ou as vezes não querendo pensar. Desejou ser quem você é, se perguntando se você gostaria ou não de ler aquelas palavras. Palavras sem fronteiras, pra ela. Precisou parar. Precisou parar de tentar. Parar de tentar descobrir se gostava das mesmas coisas que você gostava. E muito mais que isso. Precisou parar de aparentar que gostava. Largou mão das coisas que mais admirava em você. De tocar o que você tocava, de ouvir o que você ouvia, de assistir o que você assistia e de pensar no que você poderia estar pensando. Deixou o café esfriar, procurando o que te dizer quando se caso esbarrasse contigo por aí. Desejou não querer te procurar, não te encontrar. Não encontrar inspiração para escrever, sobre mais nenhum assunto. Não te ver sentado a mesa, jantando como se já fizesse parte da família. Não te imaginar em todas as canções que você ouvia, para colocar no roda-pé do script romântico, como quem não queria nada: "Escrito ao som de: (...)" E nas reticências, o nome da sua banda predileta.

Mas ela sempre teve medo desses sentidos simples, sempre teve bastante receio. Dessa coisa comum, sem seus verdadeiros gostos, sem todo seu estilo, sua personalidade, sem todo o seu querer. Teve receio de que ser assim, ficasse repetitivo. Teve receio de que sua maneira de ser, não te conquistasse mais. Mas o que aconteceu, foi o seguinte: Que na realidade, ela não procurou parecer com você. Ela não queria ser assim e meses depois, se viu nessa hipérbole... Minto! Ela quis sim parecer com você, mas sem esforço algum. Sem pesquisas, estudos, sem te compreender. Somente parecendo, isso bastava.  E por diversas vezes conseguiu, outras diversas se destorceu. Fugiu do controle...

 Agora quer não querer te procurar em seus gostos, na cozinha, nas maneiras, jeitos e manias. Diz que não quer te parecer. E se no fundo queres; quer te parecer sem tentar. Sem te procurar por esses atos comedidos que você tem. Nesse seu jeitinho reverso manso, no diminutivo do motivo, no aumentativo do sentido... Ela quer te encontrar no errado, pois o certo... Ah, o certo... O certo se desgastou! De modo um tanto malvado, que é pra não ter graça. Quer te achar, nessa frase mal feita, nessas palavras inversas, nessas suas mãos que treme, nessa cabeça que da voltas e voltas quando pensa... Na imperfeição que tomou o que era pra ser perfeito.

"Com algumas, senão várias regras quebradas, porque de tanto segui-las, quem se quebrou foram os dois. Com "retas" e variáveis fora de seguimento.... Pois nas curvas de cada rua daria tempo de inventar algo novo para evitar a monotonia e a mesmice de sempre."

Ela quis que dali em diante fosse assim e no final do roteiro, ele exclamou, sem saber:


"E será assim. Ao som do rock, do blues, do jazz, do clássico ou do silêncio. Será como preferir e do jeito que tocar. Isso basta! (...)"

Aos que se prendem em um relacionamento.
A falta de amor próprio. Ao medo de se ver só.
As escapatórias e ao que vira rotina.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dizem.

Dizem que ela não existe.
Dizem por aí que ela nunca existiu
E que talvez, nunca existiria.
Que ela não se encontraria,
Por indeterminado tempo.
Que não compartilharia
O brilho das estrelas com mais ninguém.
Que não teria mais sentimentos.
Que nada teria.

Dizem que ela não existe...
Eles dizem, apenas dizem.

A irrelevância.
Aos que, apenas dizem.


Tatiane Salles.

domingo, 17 de junho de 2012

Simbiose.

Das rosas que me trouxe,
Do vinho que tomamos ontem à frio seco,
Dos teus lábios que tocaram os meus.
Do teu rosto que acariciou o meu rosto.
Do teu perfume, leve e suave cheiro.
Características suas,
Que com carinho fizeram de mim,
Bem mais que sou.

Do teu olhar,
Das gentilezas que imperava.
Do teu respeito
E respirar, ofegante em me aquecer.
Do desejo da simbiose,
Da falta já subitamente presente,
Que me faz querer-te mais ainda...
Do teu amor.

Aos apaixonados.


Tatiane Salles.

sábado, 16 de junho de 2012

Pra ser feliz assim.

Pra ser deste modo, tem que ser feliz assim. Assim como à felicidade é. Sem cálculos. Sem precisar de motivo certo. Sem teoria, sem prestações. Sem buscar sentidos e alternar matérias. Assim. Como pássaro solto.

Pra ser feliz assim, não se requer muito. Não fazer planos é indispensável. Não ter impulso vital, não ter as unhas ruídas e as insuportáveis dores de cabeça. Pra ser feliz assim, repetindo a mesma frase muitas vezes de propósito. Pra ser bem cheio assim, como os bosques são em tarde de domingo. Pra ser sutil assim, como aquele chá no dia calmo e frio ou na manhã de segunda-feira, atarefada, sonolenta e agitada. Pra ter covinhas assim, de ouvir aquela sua música, aquela que te lembra uma pessoa que tanto te faz bem. Sensação que de tão viva, paira no ar e cabe entre os dedos. Pra ser lindo assim. Sem a perfeição do certo e errado. Sem críticas. Assim. Em passo livre. Pra ser essencial e inesquecível assim. Sem notinhas vermelhas, mas com os cadernos, com o celular despertando, provas, amigos e os rabiscos de tinta de caneta na mão. Assim. Como a vontade própria da verdade. Pra ser musical assim. Sem notas devidamente organizadas e timbre absurdamente afinado. Assim, ao som que lhe soar a canção. Como silaba perdida.

Pra ser feliz assim. Sem pressa de ser. Com jeito de quem procura e quer. Sem motivo caçado as pressas. Não tendo nenhum pra ser assim. Ser feliz assim... Sem de especie alguma ser acorrentado como prisioneiro. Sem sonho encantado. A excelência está nas coisas simples e o simples pra ser simples tende a se encantar com o "imperfeito". Pra ser extremamente feliz assim. Assim, bem assim. Riscado a caneta, pra não ter como apagar com a borracha.

Ao sorriso, a naturalidade.
A felicidade e ao "ASSIM".


Tatiane Salles. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

As sete artes da saudade.

Na felicidade de dez anos atrás,
Dos lugares que por onde passei,
Das diversas ocasiões que marcaram,
Me fiz por lembrar.
Bailando em uma lista,
Dedilhando numa folha de papel,
Cantarolando com as mãos,
Palavras sem melodia,
Moldadas as esculturas da memória,
E atuando nessa evolução.
Assistindo os detalhes coloridos,
Pintando aos quatro cantos,
As sete artes da saudade.
Vendo-me quando criança,
Inocência pura e simplesmente.
Lembranças que,
Nostalgicamente me vem...
Tempos que não voltarão jamais.

A minha infância.


Tatiane Salles.