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sexta-feira, 15 de junho de 2012

As sete artes da saudade.

Na felicidade de dez anos atrás,
Dos lugares que por onde passei,
Das diversas ocasiões que marcaram,
Me fiz por lembrar.
Bailando em uma lista,
Dedilhando numa folha de papel,
Cantarolando com as mãos,
Palavras sem melodia,
Moldadas as esculturas da memória,
E atuando nessa evolução.
Assistindo os detalhes coloridos,
Pintando aos quatro cantos,
As sete artes da saudade.
Vendo-me quando criança,
Inocência pura e simplesmente.
Lembranças que,
Nostalgicamente me vem...
Tempos que não voltarão jamais.

A minha infância.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Minha fonte de abrigo.

E de tudo o que eu tenho,
Ele é o único dono.

Me traz inspiração,
Sabedoria, paz.
Amor, família, amigos...
Não me julga injustamente.
Mantém-me de pé.
Dá valor aos meus valores.
E, é o que me faz forte,
Até sobre os vales áridos.

Me guia.
Me direciona, sem cobrar.
Governa, protege.
Faz morada,
Quando mais necessito.
E, ainda me atribui predicados...
(A satisfação de partilhar
O que eu sou com as pessoas.
E compartilhar do que elas são.)

Não invade,
Pede licença.
Mas se faz por todos,
Sem permissão.

E, se
A tempestade alcança,
Ele sempre é
Minha fonte de abrigo.

Quem me ama.
Tu és.
Quem me vê com orgulho de pai.
Tu és.
O único Senhor.

E de tudo o que eu tenho,
Só Ele é o único dono.

Ao que me rege.


Tatiane Salles.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Só precisava ser leve.

Coligir, ter, colecionar idéias. Criar. Se adaptar. Esse amontoado de ações não estava mais se adequando ao tamanho daquele barco. Do pequeno barco. Aquele que atravessava os rios, navegando lentamente, com medo de afundar. "Mas barco navega em rio?" Depende da profundidade.
 E a moça chorava por dentro e sorria por fora. E ainda diziam que ela era espontânea. Um poço sem profundidade, bem ao contrário do rio que abrigava o barco velejante. E, para a moça que ali estava, toda manhã era tachada de entardecer. Todo sol era alaranjado. Toda natureza era sem brilho. O brilho que sempre buscou e que nunca encontrou desde que habitara este território de ilusões. Ela filmava, se filmava, sonhava, se levantava. Chorava e sorria. Mas não sabia. Não sabia se era ensolarado por fora, ou se o problema do escuro era por dentro e tinha dificuldade para abrir as janelas e portas. Avessa. Completamente avessa. Cheia disso. Vivendo em união com um universo paralelo, bem assim. Não sabendo nem ao menos quando estava perdida, ou quando se encontrava. Sabia sem se perder. Se perdia sem saber. Se prendia aleatoriamente em si. E sobretudo, para disfarçar, sorria bonito.
Outrora, quando estava sozinha, se derretia, cantarolando ao som da sinfonia acústica que de, como sempre, lhe acompanhava. E no outro dia, novo dia, sorriso continuo. Sem intenção de se findar. Como já disse: Era feita de avessos. Digna do adjetivo. Sua felicidade era tão... "Verdadeira"... Para quem dizia se estar bem, mesmo não estando. Atriz de novela, era. Que andava certo nas ruas, mas que tropeçava a cada esquina. Que caia, se reerguia, levantava e tentava ser forte, mesmo tentada pelos devaneios que jogavam com ela a todo instante.
Por falar em jogo, o coração estremecerá fácil, fácil. Se perdia, quando interrogado as pressas por... Por quem era dona dele, a moça. "Se acalma menina, isso é realidade. Não é brincadeira de "O quê é, o quê é?". É seu sentimento, considere-o." Gritava as águas do rio.
 Tinha muito, muito sentimento misturado. Tinha amor correspondido, meios/fins, fins/meios, correspondia amor. Confusão! Confundia. Apertava. Defendia. Desrespeitava. Respeitava. Complicava. E ela se perdia, se encontrava, se perdia... Calmaria. Chovia, registrava, molhava a câmera e o papel em que escrevia, pensava, caia, ventou. Pausava as águas do rio: "Para menina. Mente cheia perturba coração sem ordem. Sossega menina, é dia. Vá abrir as janelas do teu quarto. Tá chuviscando aqui fora, deixa lavar o interior. É tempestade em copo d'água, não tem nada de errado acontecendo, tem? É cabeça cheia atoa. Não ligue tanto para os padrões, eles não contam mais. Se jogue, pule, pegue seu guarda-chuva. Venha ver o quanto está bonito o rio. Respire. Enquanto você se preocupa com o que se passa, uns trabalham, outros dormem, os intelectuais jogam xadrez, os meninos brincam de bola na chuva e ninguém observa o rio. Meu bem, a vida segue e você aí, abdicando dela. A tarde toda refletindo sobre coisas que nem fazem mais sentido, ou que só pra você fizeram algum. Levanta menina. Tá calor aí. Aproveita e pega seu guarda-chuva. Compra chocolate e café, sua mãe deixou um bilhete de manhã."
 Já noite, a menina que saiu do barco do seu quarto, ouvia uma voz, que vinha do rio, dizendo as seguintes: "Menina, nem todo encanto é desmedido. O encanto é como a chuva. Da primeira vez que caí, você admira a beleza e elegância das coisas. Acha lindo o cinza da neblina que caí sobre as cidades. Se envolve no edredom de retalhos da vovó, se prende na cama e não quer mais sair. Você olha e tem sinal de chuva por todos os cantos. Mas vem o sol, quer queira, quer não queira e seca. Se chove todos os dias, incomoda. Da mesma maneira é o encanto. Deixa rastro, fascina, conquista, encanta...  Mas depois acaba. E também, encantar-se todos os dias, cansa. Não são todas as pessoas que tem o prazer de faze-lo, sem aperceber, num fixo olhar... Numa mecha de fios no cabelo..."
Aquietou-se a voz, vindo disso, a moça tomou: "Sabe, nunca me disseram isso antes, por talvez medo da minha reação... Mas, a gente sonha de um jeito uma vida e segundos depois se vê interrogando sobre o que e como vai ser se seus planos não derem certo. Como pode, como se explica? De repente eu só queria que os meus sonhos não precisassem de um plano B. E eu, que desde o começo pensei que para se sonhar, não era necessário regras..." ...Face murcha, olhos baixos...
Era de imaginar o turbilhão que se passou por ela naquele momento. Coisas das quais sua expressão resumiu-se em: "Só precisava ser delicado como o velejar do verdadeiro barco, só precisava ser leve como as águas que desaguam aqui. O resto a gente esquenta com café. Só precisava ser leve, só... Pois todo o resto é consequência." E, levando na mão seu guarda-chuva. Retornando, na esperança de lhe aquecer o que restara... Uma lágrima morria nas mãos.
E depois, lá no final da rua...
A moça sorria bonito, mas não sabia.


As noites sombrias, as dúvidas.
 Aos dias amarelados, as inseguranças.
As águas e vozes.
 E, aos rios que embalam os barcos que velejam sem rumo.


Tatiane Salles.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Aos amantes do amor.

Ao dia dos namorados.

As telepatias.
E são delas,
São deles,
Dos planos,
Da naturalidade que lhes rondava,
Ao extremo insano.

Não tinha limites,
Era vivo.
Repleto de positividade.
Amor&amor.
História romântica de um livro.

Das escaladas de montanhas, ao monte.
Tatuagens do símbolo "eterno",
Grudadas ao lado esquerdo do peito...
Independentemente.

Muro sólido,
Que os escondia do temporal,
Branco intenso.
Escrito vossos nomes,
Há tintura
Cor de sangue,
Refletidos aos sete mares,
Enamorados por extenso.

{Dedico a todos os que sentem, que são apaixonados, que amam e lutam por. 
Aos casados, namorados, enamorados, amantes, distantes, presentes e ao eterno.}


Tatiane Salles.


Homenagem à uma pessoa querida:

Hoje é aniversário de uma grande amiga, que se tornou irmã. Irmã de sangue, de mães diferentes. A ela, toda felicidade do mundo. Obrigada por existir e por compartilhar os melhores momentos da sua vida comigo. Obrigada por cuidar de mim, por estar sempre ao meu lado e por nunca desistir dos nossos planos de conquistar o mundo, "haha", mesmo eu sendo chata/"imatura"/chata, ás vezes. Quero te dizer que eu sou muito feliz em poder participar desse dia com você e que você é extremamente essencial no meu mundo. Parabéns. Feliz aniversário, amiga! Te amo, Cristinna Burnyer.


Tatiane Salles.

domingo, 10 de junho de 2012

Em simultâneo.

De nada sei.
Tem sido assim,
Desde o meio,
Princípio e final, isto é...
Se é que isso realmente existiu...
Não sei ao certo.
Deste modo, desordenando;
Mas como se todas as coisas,
Estivessem dentro da normalidade
E absolutamente desestruturado.
Escassa visão.
As vezes sinto-me ao contrário de mim.
Outras, nem mais me sinto.
Me vem estrofes, versos...
E do nada, tudo parece transparente,
Ao meu imaginário.
Me emociono, diante de tão pouco.
Hora cheia, hora vazia.
Aguá e fogo me arrodeiam em simultâneo.
Para quem pensou que fosse impossível...
Falo, sem verem mexer meus lábios.
Ando, como se meus pés não fossem
Minha sustentação em terra firme.
Como se voasse, com uma asa só,
Abeirando as nuvens claras/escuras.
Ouço, mas não te escuto chamar.
A não ser pelas ligeiras batidas do coração,
Que pouco persiste, ou, nem bate.
Ele só grita por soluções,
Porque dizem ser permanentes.
Berra por palavras,
E num reflexo involuntário dos meus olhos,
Se vê mudo perante elas.
Ele procura incansavelmente por entre os acasos.
Respostas sem nexo,
Podem ser o começo da explicação,
Dos efeitos que me surgem;
Os atos de "vilipêndio".


Tatiane Salles.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Não se esqueça.

Desgruda-te de tudo.
Desliga-te de todos.
Despregue-se do por-do-sol...
E mesmo que anoiteça,
Só te peço que não se esqueça, de mim.

Que meu grande afeto te aqueça,
De todo sereno frio,
Que a madrugada trouxer.
E que esse nosso "sentimento" ou falta dele,
Nos transforme da melhor maneira.

Que toda confusão,
Todas as brigas,
Todas as discussões,
Todo amadurecimento, sirva...
De fortalecimento,
 Para relacionamentos futuros... Quem sabe.
Que todo o silêncio que ronda,
 Escute nossa frequência,
Mesmo que talvez não tenha,
Nada à transmitir.

Vejamos.
Vejamos os caminhos percorridos,
Passos que não se apagarão tão cedo.
Nem que você queira,
Nem que eu queira e quero.
Nem que nós quiséssemos.
Mas que deixamos de viver,
O perto, mais longe,
O longe, tão longe.
O perto, tão perto!

E do longe mais perto que nunca...
Não se esqueça.
Não me esqueça.
Mesmo que amanheça...
E, que tudo volte a ser como era,
Antes dá gente se apaixonar.


Tatiane Salles.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Uma dose de veneno.

Na fome severa,
Do sabor da própria carne,
Ventas que expeliam sangue,
Que desuniam dois artifícios, 
Duas pessoas estranhas,
Estranhos defeitos e qualidades,
Dois corações...
Ou, nem ao menos isso.

Nessa balança, 
Que pesava e balançava permanentemente, 
Vendendo a necessidade de estar,
Combinado as mais devidas proporções,
Sendo elas trocadas,
Por medo e inconsequência.

E de lá da porta do armazém,
Ela gritava pelo senhor proprietário do ambiente, 
Que assustado lhe trouxera,
Uma mercadoria sem rotulo.
Era à poção mágica de "realidade",
Encomendada por ela dias atrás...
Que em sua mente aliviaria, 
A ponte insatisfatória, que, há deixava vulnerável,
Diante do seu bem.

Maluca, de instinto impulsivo,
Animal...
Num vacilo,
Rose tomará, 
Uma só dose...
Uma dose de veneno...
Se maltratando,
Se submetendo,
Se doando,
E, fatalmente, partindo-se para outra dimensão.


Tatiane Salles.