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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Olhos.

Olhos. 
São apenas aqueles que me veem, sem ver.
Aqueles que me escutam, sem voz.
Olhos, intrigantes e misteriosos são os seus.
Olhos sadios, que me leem,
Que me adoram, que me "odeiam",
Que me olham!
Que são "cegos", mas me percebem.
Olhar que, sentidos, não difere.
Olhos sem rumo, vazios,
Escuros olhos.
Enigmático e displicente aos, que, com ele, sem prestígio.
Tão meigos olhos.
Sarcásticos, irônicos, talvez.
Olhos que me entendem
Que me fazem freguês.
Olhos que permanecem Só Para Dizer que estão presentes,
Mas que sobretudo, são lindos!
 Lindos olhos são os seus.
Pálpebras que se descolam ao ver,
Pupilas que se cobrem, e me enxergam ao mesmo instante.
Olhos que não me querem machucar,
Que também sofrem, que tem medo...
Olhos...
São esses mesmos olhos, que merecem o olhar dos meus.


Tatiane Salles.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Estranho seria...

Estranho seria se:
Eu não me encontrasse,
Com as minhas próprias contradições,
Esbarrando-me, gostando-te,
Negando-me e dubiamente afirmando que não.

Estranho seria se:
A chuva lá fora,
Não molhasse aqui dentro,
E eu não sentisse o frio do tempo,
Mesmo com à janela fechada.

Estranho seria se:
De dia, eu não brincasse de boneca, 
Não acreditasse em lobisomem,
Se à noite, eu não fosse à festas.

Estranho seria se:
Eu não vivesse em um mundo particular,
Se eu não tivesse "inimigos",
Não gostasse de palhaços, jujubas,
Se eu não sofresse dúvidas.

Estranho seria se:
A vida não fosse feita dessas e outras,
Se em todo desencontro não existisse aquele vazio inerte,
Dolorido, incerto, evasivo...
Se tudo fosse coberto em flores.

Estranho seria se:
Às vezes eu não sentisse saudades de mim.
Se o mundo não fosse dividido em ângulos,
Pedaços pequenos, pequenos pedaços...
Estranho seria, se nada fosse estranho.


Tatiane Salles.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ausente.

Sei...
Que estamos por aqui como hóspedes.
E que existe mesmo essa caverna de dragões,
Temidos dragões,
Cuspidores de fogo, que no peito arde.

De todos os que passaram por ela,
Queimaduras de terceiro grau,
Sofreram, por indeterminado tempo, 
Inquietamente, sem anseios,
No final.

No final,
Final deprimente...
Cercado por corações despedaçados e sangrentos,
Por aquilo que foi imperfeito,
Mundo do qual hoje, me faço ausente.

Ausente, das cavernas do amor.


Tatiane Salles.

domingo, 20 de maio de 2012

Levitar.

Voar, como avião.
Se expor como um foguete no espaço,
Andorinha num pedaço,
Azul do céu.

Levitar!
Como os agentes de Yoga,
A astrologia e contrastes da Boreal Aurora,
Como quem sabe usar o rascunho de um papel.

Voar, como avião.
Como quem não quer se aparecer,
Balões, Aza Delta...
Queda livre,
Sem temor, fobia ou medo de para-quedas.

Levitar!
Neste tão medo de ficar só.
Na solidão que fica à bater na porta,
Da brisa que vem de leve com contentamento,
Mas que se contraria, não contagia,
Pega seu voou e vai-se embora.

Voar, sem tristeza interior.
Em busca da verdade, abelha-e-mel.
Sem ter como retornar.
Ser livre, sem destino de viagem,
Sem malas, perturbações, passagens
E sem ter azas pra voltar.

Levitar...
Sobre à esfera de outras galaxias.


Tatiane Salles.

sábado, 19 de maio de 2012

Reflexo.

Eu fico calado.
Fico calado.
Calado...
Quando me alcança essa metamorfose de "poeira".
Eu fico bem quieto.
Fico bem quieto.
Bem aquieto...
Quando o mundo inteiro fica torto, bobo, sem eira, nem beira.

Tenho plena lucidez quando sinto que a saudade não é, ou, nunca foi...
E, há perco com a mesma facilidade minutos depois.
Dizem com autoridade, afirmam com total convicção,
Que vivo em constante medo! (!?!)
Em oculto, descrito, reservo e que opto sempre pelo meu mais "suave" silêncio.

Em voltas e meias, dadas em circulo,
Círculos retangulares, círculos quadrados,
Círculos circulares, no alto da maresia,
Eu aprendi que todo clichê do silêncio, tem relevo, idéias, desejo,
Tem direção/segredo, quando se recitado em poesia. 

E mesmo que ela não te invada...
Eu sou o reflexo do teu indireto silêncio!


Tatiane Salles.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sem calos.

Procuro incansavelmente,
"Cerâmicas" diferentes para pisar.
Com o meu salto alto fino,
Que a décadas é o mesmo,
Mas que de costume e apego,
 Tenho medo de trocar.

E é com ele que perambulo,
Sobre as estradas do metro da metrópole,
Em direção ao mundo novo,
Destino à "Nova York".

Com olhos esbugalhados,
Os noviços rebeldes me olham,
Talvez fosse o andado elegante,
Pelos olhos escuros, 
E à cor de pele,
Ou, até mesmo, pelo cabelo em estilo afro-reggae/americano.

De apé, sem calos, em nenhum dos pés,
Inventando à minha direção,
Cobrindo-me com uma sombrinha dos espinhos da vida...
Andava sobre "multidões", entre lugares
Nesta mais desabituada oportunidade.

Preto e branco,
Em ritmo "intenso",
Vagarosamente, por obstáculos, caminhando...
Persistindo-me na imensidão,
Só não querendo me encontrar...
Deparar ou redescobrir.
Há nova sensação,
 De, à alguém, me apegar.


Tatiane Salles.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

As cartas que eu não mandei.

Nestas folhas brancas,
Sem pautas, sem ouvidos,
É que escrevo o meu passado,
Antes em deslumbro júbilo, 
Hoje em hostil retardo.

Tem falhas,
Acertos,
Versos,
Possessos.
Tem linhas invisíveis,
Linhas sem novelo,
Praxe de paradoxo,
Paradoxo de praxe, 
Redundância de contexto
E figuras de linguagem.
Tem dueto em solo, 
Solo em conjunto,
Diversas ações...
Tem saudades no peito,
Direito e esquerdo,
Contradições...
Tem um bilhete de e-mail na caixinha,
O último que você me deixou,
Depois da nossa penúltima briga.
...
Tem uns momentos na memória,
Uns nós na garganta,
Acordes no violão,
Nossas trilhas,
Tem as letras que eu compunha,
Enquanto você dormia.
Tem aquela conversa sem conclusão,
Concelho sem razão,
Escondido ciúmes,
Lagoa sem cardume,
Chuva sem proteção.
Tem aquela noite sem dormir,
Aquilo que só a gente entendia,
O perfume nos sonhos,
Pipoca e cinema,
Lar-doce-lar.
Tem sorriso vazio,
Descontraído, 
Provocado,
Ameaçado,
Contido.
Tem lágrimas que voou,
Por falta de um abraço,
Que "nunca",
Desabrochou.
Tem prosa, tem flor e tem tristeza.
Tem mensagens inesperadas,
Tem gente que se esqueceu,
Tem "inesperada" ausência,
Tem pessoas que do nosso "amor", ainda se lembra.
Tem canto, tem tinta, tem indiferença e tem magia.
Tem "história"...
Tem "estória"...

Tem...
 As cartas que eu não mandei.


Tatiane Salles.